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Doacao de órgãos: como funciona no Brasil

Estude sobre doacao de órgãos no Brasil: como funciona, quem pode ser doador, como manifestar o desejo de doar, órgãos que podem ser doados e o papel da familia.

Enrico Terzi 7 min de leitura

Doacao de órgãos no Brasil

O Brasil tem o maior sistema público de transplantes do mundo. Cerca de 95% dos transplantes no pais são realizados pelo SUS, totalmente gratuitos. Em 2024, o pais realizou mais de 29 mil transplantes de órgãos e tecidos.

Apesar dos avancos, a fila de espera ainda e grande. A principal barreira não e a falta de tecnologia, mas a recusa das familias em autorizar a doacao. Conhecer o processo e fundamental para que mais vidas sejam salvas.

Quem pode ser doador

Doador falecido (após morte encefalica)

A maioria dos órgãos transplantados vem de doadores falecidos com diagnóstico de morte encefalica — a parada irreversivel de todas as funções do cerebro. Nesse cenario, o coracao ainda bate (com suporte de aparelhos), mas não ha nenhuma chance de recuperacao.

Qualquer pessoa que tenha morte encefalica confirmada pode ser potencial doadora, independentemente de idade. A equipe médica avaliara quais órgãos e tecidos estao em condições de serem transplantados.

Doador vivo

Pessoas vivas também podem doar:

  • Rim: doacao de um dos rins (o doador vive normalmente com o outro)
  • Parte do figado: o figado se regenera tanto no doador quanto no receptor
  • Medula ossea: coletada por puncao ou aferese

A doacao em vida só e permitida entre parentes até o quarto grau ou conjuges. Para não parentes, e necessária autorizacao judicial.

Órgãos e tecidos que podem ser doados

Órgãos (doador falecido)

  • Coracao
  • Pulmoes
  • Figado
  • Rins
  • Pancreas
  • Intestino

Tecidos (doador falecido)

  • Corneas (até 6 horas após a parada cardiaca)
  • Pele
  • Ossos
  • Cartilagem
  • Tendoes
  • Valvulas cardiacas
  • Vasos sanguineos

Um único doador pode salvar ou melhorar a vida de mais de 10 pessoas.

Como funciona o processo de doacao

1. Identificacao do potencial doador

Quando um paciente internado em UTI apresenta sinais de morte encefalica, a equipe médica inicia o protocolo de diagnóstico.

2. Diagnóstico de morte encefalica

O diagnóstico segue regras rigorosas definidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM):

  • Dois exames clinicos realizados por médicos diferentes, em intervalos definidos conforme a idade
  • Um exame complementar (eletroencefalograma, arteriografia cerebral ou Doppler transcraniano)
  • Só após confirmacao de todos os exames a morte encefalica e declarada

3. Comunicação a familia

A equipe médica comunica a familia sobre o diagnóstico de morte encefalica e, separadamente, a equipe de captacao de órgãos faz a entrevista familiar para verificar o desejo de doacao.

4. Autorizacao da familia

No Brasil, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, a decisão final e sempre da familia. Sem a autorizacao dos familiares, a doacao não acontece.

Por isso, o passo mais importante e conversar com sua familia sobre seu desejo de doar. Se seus familiares souberem da sua vontade, a chance de autorizacao e muito maior.

5. Avaliação dos órgãos

Se a familia autorizar, exames são realizados para verificar quais órgãos estao em condições de transplante e se não ha doencas transmissiveis.

6. Distribuicao dos órgãos

O Sistema Nacional de Transplantes (SNT) cruza os dados do doador com a lista única de receptores, considerando:

  • Compatibilidade sanguinea e imunologica
  • Gravidade do receptor
  • Tempo de espera
  • Proximidade geografica (órgãos tem tempo limitado fora do corpo)

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